Como fazer com que o leitor crie uma ligação com seu personagem

Como fazer com que o leitor crie uma ligação com seu personagem

Salve, Leitores!

Uma das maneiras mais eficazes de tornar sua história consideravelmente mais interessante para o leitor, é criando um personagem cuja personalidade o faça sentir empatia. Isto é, que
ele se sinta, de inúmeras formas, conectado ao protagonista (ou qualquer outro personagem importante da história). Apesar de ser um artifício que funciona extremamente bem, o resultado pode ser o exato oposto disso, se não usado de forma ‘’correta’’, promovendo uma regressão obviamente indesejada por você.

E é nisso que vamos ajudá-lo a se prevenir, logo abaixo, listando algumas dicas de como fazer com que parte de seu público-alvo grite ‘’Caraca! Sou eu to-di-nho!!!!!’’

Tá perdido?   – Por que isso é importante?

A adição de uma ponte sentimental sólida entre o seu leitor e determinado personagem da trama faz com que cada momento estrategicamente emotivo seja mais impactante. Uma vez que alguém esteja se doando por completo para algo, ela tende a ficar a flor da pele, completamente abalável a qualquer gênero de ameaça – a morte ou o retorno de alguém importante, por exemplo, o que causa uma mudança drástica no personagem e, consequentemente, no público.

A ligação, todavia, não é um artifício lá tão simples de se esquematizar nos parâmetros do bom-senso e da qualidade. Calma, a gente explica.

Preconceitos & Traumas

Praticamente todo herói, protagonista, antagonista, vilão, anti-herói ou ser humano comum possuem traços negativos em sua característica que os fazem ficar mais humanizados e mais propícios à identificação por parte do leitor.

Criar um personagem cuja descrição se baseia em algo perfeito e quase sem defeito nenhum em questões de caráter (como ser feliz o tempo todo e amar todo mundo da mesma maneira), muito provavelmente, vai miseravelmente falhar na missão de se conectar com o leitor. Não existem pessoas perfeitas. Não. Existem.

O exato contrário desses atributos é o responsável por fazer com quem seu público sinta-se na pele do próprio protagonista. Alguém com índole impecável será dificilmente encarado como um cidadão, de fato, possível de existir, agora, uma mulher ou um homem com problemas internos reais e palpáveis podem fazer num instante só todos os seus leitores se conectarem instantaneamente com eles e com a história, propriamente dita.

Um belo exemplo de personagem que passou por um grande trauma e transformou-se em cima disso é Bruce Wayne, o Batman, que passou de criança e filho normal para um garoto
órfão totalmente depressivo e com um vão no peito anteriormente ocupado apenas por seus pais e que, até em dias atuais, continua vazio, tornando na vida adulta uma pessoa antissocial,
de fala curta e que raramente deposita confiança em outros indivíduos.

Objetivos & Vontades

É dito que o Naruto, de Kishimoto, é um dos personagens fictícios que mais possui identificação dos leitores ao redor do mundo. E isso se dá ao fato de que as emoções do personagem oscilam diversas vezes durante a história, passando por episódios depressivos, de superação, de fraqueza, de angústia, de vitória, de derrota, mas, raramente, de desistência e com todos praticamente atuando em prol de um objetivo principal (o sonho de cada leitor).

Os discursos que trouxeram ao Shinobi o apelido de zé-discursinho também promoveram essa imagem mundial de ser considerado uma das figuras mais influentes da cultura pop. Nesse caso, os objetivos trabalham na personalidade do personagem de maneira semelhante à do preconceito e do trauma, com picos emotivos característicos e que passam longe de moldar um caráter perfeito.

Há outros muitos exemplos de personagens como o Naruto (na própria história, aliás), como Silas do Rapha Pinheiro, Serafim de Oxente.

Cito esses dois personagens pois podemos nos identificar com as dores e objetivos, os autores ao criarem tiveram que passar por todas essas etapas para passar no papel a complexidade dos personagens. Que por mais sucinto que seja. Ela está ali. E por isso recomendo que leiam!

Sinópse de Oxente: Um menino arretado, filho do finado Lampião, o cangaceiro mais temido do nordeste, decide partir em uma jornada após a morte do avô. Ele, por outro lado, não deseja seguir o mesmo caminho que o pai, pois o seu maior sonho é se tornar o maior herói do nordeste.

Sinópse de Silas: Era uma vez uma cidade onde todos eram feitos de fogo. Um dia começou a chover e o povo da cidade fugiu para as cavernas onde se perderam e terminaram por construir uma nova cidade

Herói Catalizador

Se o seu herói é do tipo Herói Catalizador, que nada mais é do que um ser quase-perfeito (como o Superman), é compreensível que ele não possua muitos preconceitos; ou, talvez, nenhum. Tratando-se disso, ainda há maneiras de construir uma relação com ele e o seu leitor através das pontes do Objetivo e das Vontades.

Em Vingadores 4: Guerra Infinita, Visão, um super-robô, está diante de uma das decisões mais cruciais de sua curta campanha de vida. Thanos, o vilão da trama, deseja algo que ele possui, e
então Visão sugere que isso seja tirado dele de forma mortal, assim o sacrificando e salvando a todos.

Por mais difícil que possa parecer que a ponte entre ele e um leitor surja, a atitude é recebida com empatia por boa parte do público que também, no lugar dele, teria feito a mesma escolha.

Bom senso

No tópico de Preconceitos & Traumas, é de suma importância calcular tudo o que for entrar na aba de preconceitos. Um herói racista ou homofóbico, por exemplo, não pode de jeito algum ser entendido como um herói nem alguém que tenha justiça em sua essência humana.

A opinião do personagem a respeito de assuntos de aspecto social são sempre bem-vindas, mas também em todas as ocasiões acompanhadas de compreensão e de, talvez, sabedoria.

Qual o personagem que você mais se identifica, hoje, na cultura pop? Comente aí pra gente, e não se esqueça de nos curtir e compartilhar para os amigos.

Escrito por Kelson Martins.

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